quarta-feira, 24 de junho de 2009

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


Tive a sorte de crescer numa família onde não existem casos de violência doméstica (não me lembro, sequer, do meu pai me ter, alguma vez, levantado a mão)!
Embora saiba que ela pode ser tanto masculina como feminina, está provado que atinge as mulheres em valores percentuais muito mais elevados que os homens. A eterna questão cultural que "elegeu" o homem como sexo forte(???) e incutiu na mulher o dever de ser submissa ao poder patriarcal e marital será, quanto a mim, a causa primeira desta diferença.
Não sou perita nesta matéria. Limito-me a ler, ouvir debates e a pesquisar o mais que posso sobre o assunto porque me incomoda e revolta, seriamente!!!
Não concebo que um homem violente física, psicológica ou verbalmente uma mulher e preciso entender porque é que a mesma consegue, por vezes, permanecer, anos a fio, com um companheiro que, quantas vezes, acaba por ser o causador da sua própria morte.
Aqui deixo alguma informação que recolhi em alguns sites porque há sempre alguém que conhece alguém...e poderá, quem sabe?, ajudar a identificar "sinais" e, ao mesmo tempo, a lidar com as situações.

Violência doméstica

"Muitas são as pessoas que definem violência doméstica como agressão física feita pelo marido à mulher. Ela existe em todos os países e atinge todas as classes sociais. É o sintoma mais visível da desigualdade de poderes nas relações entre homens e mulheres. Durante muito tempo foi considerada como um tabu. Ninguém falava dela, ninguém admitia tê-la testemunhado, ninguém fazia nada para impedir, hoje, o assunto é mais público embora continue a existir um muro de silêncio em torno das vítimas. Este silêncio muitas vezes normalmente surge do medo de represálias.A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente. Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não costuma obedecer a nenhum nível social, económico, religioso ou cultural específico, como poderiam pensar alguns.Sua importância é relevante sob dois aspectos: primeiro, devido ao sofrimento indescritível que imputa às suas vítimas, muitas vezes silenciosas e, em segundo, porque, comprovadamente, a violência doméstica, incluindo aí a Negligência Precoce e o Abuso Sexual, podem impedir um bom desenvolvimento físico e mental da vítima.
Causas:

*causa económica- É sabido que a mulher é a principal vítima de violência doméstica e isto porque ela foi sempre discriminada ao longo da história, o homem é que ia a escola, era ele quem tinha o dever de sustentar a casa, e a mulher não podia ir à escola porque o principal papel dela era a procriação e educar os filhos por isso, ainda muito dos nossos homens pensam desta maneira e segundo estes, a mulher deve ficar em casa cuidando dos filhos sem levar em conta outros direitos que ela tem.
* causa psicológica- O homem ainda hoje acha que a mulher com que convive é propriedade sua. “Eu mando, faço e posso.” O homem manda, agride e muitas vezes a mulher fica num beco sem saída porque não tem onde voltar por causa da pobreza. Ela muitas vezes aguenta um conjunto de situações complicadas já que depende totalmente do marido ou companheiro porque já tem um conjunto de filmes. Esta é a principal razão de suportar muitos abusos já que não tem outra forma de ganhar sustento dos filhos
*causa sociológica denominada “incongruência de status” na qual, e mesmo que a mulher lute ela fica sempre “descriminada”; ela pode ir à escola, ganhar o seu salário tal e qual o homem, contribuir no seu sustento da casa, na educação, mas sempre há uma desproporcionalidade entre o homem e ela porque mesmo que trabalhe fora, ela tem sempre a preocupação de chegar mais cedo em casa e fazer os trabalhos domésticos, tais como limpeza, alimentação, dar satisfação ao homem e etc.
*O ciúme também é uma causa muito frequente. Normalmente o agressor(a) observa o(a) seu (sua) companheiro(a) conversando com uma pessoa do sexo contrário e sente-se ameaçado e agride o(a) companheiro(a).
Existem ainda muitas outras causas como os próprios distúrbios mentais e desvios de comportamento do agressor.

Porque se mantêm com o agressor?

As mulheres são vítimas em 84,3% dos casos. Com mais frequência, as vítimas estão nas seguintes faixas etárias: 24,6% de 18 a 35 anos, 21,3% de 36 a 45 anos e 13% de 46 a 55 anos.Segundo pesquisas, as mulheres que apanham do parceiro têm alguns aspectos psicológicos comuns.Muitas vezes, elas até mantêm uma certa cumplicidade com as atitudes agressivas do parceiro. Algumas destas mulheres vêm de famílias onde a violência e os castigos físicos faziam parte do quotidiano e é como se fossem obrigadas a repetir estas situações em suas relações actuais.No momento de escolher um parceiro, podem, mesmo não sendo consciente, escolher homens mais agressivos, inocentemente admirados por elas nos tempos de namoro. O namorado agressivo era visto como protector e o ciúme exagerado que ele expressava era considerado uma "prova" de amor.Um elemento comum na maioria destas mulheres é o medo de não ter condição financeira para se manter ou aos filhos, se saírem da relação. O dinheiro entra aí como factor de controlo sobre a mulher. Voltamos a sugerir que os pais pensem se, na educação dos filhos, não condicionam a liberdade deles pelo dinheiro, ameaçando cortar o apoio financeiro como forma de obter respeito e obediência. Esta atitude pode criar tanta insegurança na filha, ao ponto dela se sentir incapaz de resolver sozinha seus próprios problemas quando adulta.
Algumas mulheres se sentem muito frustradas e culpadas por não "conseguirem" ter feito o casamento dar certo. Estas foram educadas para cumprir o papel de mulher bem casada e se sentem incapazes de encarar o facto de terem errado na escolha.Para elas, neste caso, falhar no casamento é pior que manter uma relação, ainda que péssima. Por vergonha e constrangimento, costumam esconder de todos que apanham dos parceiros, pois têm a esperança que eles mudem com o tempo. Mas a situação se arrasta ou se complica e ela não vê saída.Portanto, a vítima, quase sempre tem uma relação de dependência com o agressor. Mais que a dependência económica em relação ao homem, é a dependência emocional que faz a mulher suportar as agressões. Há casos de maridos que vão ao local de trabalho da mulher e a agridem diante de colegas, e de abusos sexuais de pais contra filhas depois que ela se afastou do domicílio comum.".

Que fazer em caso de violência doméstica?

"Se é vítima de violência doméstica dirija-se a qualquer Esquadra da PSP , Posto da GNR, Piquete da Polícia Judiciária ou Tribunal, porque vale a pena denunciar.
É fundamental que as vítimas de crime exerçam o seu direito de apresentação de denúncia crime, para dar início à resolução do problema da violência doméstica.
Se é vítima de violência doméstica procure sempre um hospital, centro de saúde ou médico particular , mesmo que não apresente sinais externos de agressão. Se possível solicite a um familiar ou pessoa amiga que (o) a acompanhe.
E informe-se sobre as associações de apoio à vítima da sua área! Há centros de acolhimento e linhas de apoio disponíveis para ajudá-la(o)."

Pessoalmente, deixo um apelo aos familiares e amigos destas pessoas: Não desistam delas nunca, façam-nas saber que têm o vosso apoio, que o destino pode e deve ser alterado e que a vida é para ser vivida sem grilhetas, em plenitude. Há um mundo livre e cheio de oportunidades para se ser feliz, fora da prisão em que vivem!!!!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

TERTÚLIA VIRTUAL "Que lugar te faz sentir em casa?"

QUE LUGAR TE FAZ SENTIR EM CASA?






Cheguei há cerca de 3 horas do meu refúgio na praia onde passei, com a família, 5 dias maravilhosos (que bem que me sinto lá...). Estou, agora, sentada em frente a este computador, na minha casa de Lisboa, "ouvindo" o silêncio da noite, tranquila e em paz (que bem que me sinto aqui...) e penso: "Que outros lugares, que não estes, me fazem sentir em casa?"
Não é preciso muito para que eu me sinta "bem" num determinado lugar. Comunico e relaciono-me com os outros com facilidade. Não sou muito exigente e adapto-me às circunstâncias mas...isso não chega para que me sinta em casa!
Para me sentir em casa, necessito de poder ser EU!!!
Então é isso mesmo, o lugar que me faz sentir em casa sou eu própria.
EU sou as minhas quatro paredes, guardiã dos meus sonhos e desejos, em mim habitam minha melhor amiga e conselheira, quem mais me ama e me critica, quem me dá força e me quebra, quem ouve meu choro de raiva e limpa minhas lágrimas de tristeza. Nesta casa, vive quem ri comigo e celebra as minhas vitórias sempre, quem nunca duvida se sofro, quem não se importa quando desnudo minha alma sem pudor e deixo meus anseios voarem livremente... Dentro de mim, eu sou criança quando quero, vagueio por meus recantos mais insanos e abandono-me à carícia de um afago!
EU sou a minha casa e, desta, só eu tenho as chaves!!!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

BLOGAGEM COLECTIVA "A ALDEIA DA MINHA VIDA"

A aldeia da minha vida





Fotos de Nuzedo de Baixo
Pareceu-me esta iniciativa da Susana que tem, entre outros, os blogs "Clube das Mulheres Beirãs" e "Descubra as aldeias históricas de Portugal", uma excelente oportunidade de se divulgar um pouco do nosso património sócio-histórico-cultural através de aldeias do nosso país que, não raras vezes, nós próprios, portugueses, tão mal conhecemos e amamos.


Costumo dizer que não tenho "terra"! Nas férias, fins-de-semana prolongados, Natais... quando ouvia amigos e colegas dizerem : "Vou até à terra!", eu ficáva sempre com aquela sensação de pária porque não tinha"terra" para onde ir!!!
Nascida e criada em Lisboa, esses períodos de lazer eram passados aqui mesmo ou noutros locais que não eram a "terra" de ninguém da família.
Evidentemente que, ao longo dos anos, conheci terras lindíssimas, fossem elas aldeias, vilas ou cidades do nosso país mas nenhuma a que eu pudésse chamar "a aldeia da minha vida"!
Acontece que casei com um transmontano dos sete costados!!! Filho, neto, bisneto, trineto, tetraneto, ..., de transmontanos por parte materna e paterna, o meu marido é um genuíno filho das terras para além do Marão!!!
Embora, efectivamente, só tenha vivido cerca de 6 anos dos seus quase 53 na sua aldeia natal (dos 2 aos 7 viveu em Moçambique, fez a Primária na aldeia e, depois, partiu para Coimbra e, mais tarde, Lisboa, para estudar), os meus sogros mantiveram-se em Trás-os-Montes até falecerem.


Por isso, elegi a sua aldeia natal, um lugarejo nas margens do rio Tuela, perdido nos montes da Terra Fria transmontana, como a aldeia da (sua) minha vida. Chama-se Nuzedo de Baixo.



UM POUCO DE HISTÓRIA...


A aldeia de Nuzedo de Baixo pertence à freguesia de Vale das Fontes, concelho de Vinhais, distrito de Bragança.
Outrora, esta aldeia foi, ela própria, uma importante freguesia independente. Aqui se situa o famoso complexo mineiro de Nuzedo/Ervedosa, actualmente paralisado. Fez acorrer à região gente de origem e culturas diferentes que, enraizadas, deram origem a uma população mista com traços antropológicos distintos da que permaneceu na zona norte.
A exploração de estanho manteve-se até 1969 quando os proprietários abandonaram a mina a céu aberto. Muitas centenas de pessoas emigraram. Resta a memória de uma época áurea: há mais de meio século já a aldeia tinha central eléctrica, ruas calcetadas a granito, água canalizada, cinema de manivela e um campo de futebol que também servia para o avião do dono das minas aterrar.
Hoje, é um autêntico museu de arqueologia industrial!
Nuzedo aparece nas Inquirições de 1258 com um grande manancial de informações. Por elas ficamos a saber que D. Afonso Henriques doou, em data desconhecida, a um tal Fernando de Anais, metade da "villa" de "Luzedo qui vocatur de sub castelo" e este indivíduo deu-a ao Mosteiro de Cadões ou Monte do Ramo.
No séc. XIV ou XV, passa a paróquia. Já no séc. XVIII surge como freguesia mas, na primeira metade do séc. XIX é anexada a Vale das Fontes.



A VIDA NAS MINAS...

Segundo o geógrafo Carlos Patrício, natural da aldeia de Nuzedo de Baixo, as minas são um testemunho vivo de um espaço de exploração, onde não havia domingos nem dias santos e onde nunca se ouviu falar de direitos de trabalhadores.
Carlos Patrício acompanhou, desde muito novo, a actividade mineira e conta como era dura a vida dos mineiros. “Vivia-se uma realidade incrível, que hoje é difícil de imaginar. Os verdadeiros mineiros demoravam, apenas, quatro a cinco anos até ficarem completamente liquidados com silicose”, enfatiza o geógrafo.
"A dureza dos trabalhos e a propagação de doenças, devido à contaminação do minério, eram os problemas que viviam com os mineiros e com a sua família. Havia famílias inteiras a trabalhar nas minas. Para além disso, as crianças conviviam diariamente com pessoas tuberculosas. Eram tempos muito difíceis para estas pessoas, que arriscavam a vida para ganhar dinheiro e sobreviver”, realça Carlos Patrício.
Na óptica de muitos especialistas, devia haver apoios para recuperar o Couto Mineiro, que para além de representar parte da história transmontana é um local que poderia ser recuperado e inserido num roteiro turístico capaz de trazer visitantes ao Nordeste Transmontano. Esta posição é partilhada pelo geógrafo Carlos Patrício, que lamenta a perda daquele património.“É importante recuperar aquelas minas e sinalizar as zonas perigosas, nomeadamente os fornos de arsénio e as partes do terreno que estão contaminada. Posteriormente, esta zona devia ser aproveitada para o turismo, através de visitas guiadas e aproveitando as memórias das pessoas que trabalharam nas minas e ainda são vivas”, salienta o geógrafo.


A ACTUALIDADE...

Não consegui saber qual o número de habitantes que vive, actualmente, em Nuzedo de Baixo mas sei, porque o meu marido ainda tem lá vários familiares, que são já muito poucos e, na sua maioria, idosos.
O encerramento das minas provocou a emigração de muita gente principalmente para França, Alemanha e Espanha. A falta de braços para trabalhar a terra, boa para o cultivo da batata e do centeio, entre outros, rica em oliveiras, castanheiros e carvalhos, para levar o gado a pastar... levaram à degradação da aldeia e das condições de sobrevivência dos habitantes.
Os meus próprios sogros viram-se obrigados a sair de lá e, embora não saindo do seu amado Trás-os-Montes, procurarem outro modo de vida em Mirandela. Depois do meu sogro falecer, a minha sogra viria a vender o património da família por não haver quem trabalhásse na terra.
É urgente olhar para as aldeias do nosso país, principalmente para as do interior profundo, esquecidas, ostracizadas. maltratadas e mal-amadas!
Ainda conheci Nuzedo com alguma Vida, lembro-me como fui bem recebida e acarinhada (e como me atolei com os meus saltos altos, até aos tornozelos, menina ignorante da cidade, na lama do pátio inferior da casa onde galinhas, perús, patos e porcos conviviam, na primeira vez que lá fui!!!). Da última vez que visitei a aldeia (e já lá vão uns anos...) era já uma terra a morrer.
Haja alguém que a "ressuscite", assim como a muitas outras. Os nossos antepassados merecem-no, os nossos filhos e netos têm direito a conhecer o seu verdadeiro Portugal!

























quinta-feira, 4 de junho de 2009

MuLhErEs e WC's PúBliCoS...


Por que é que as mulheres demoram tanto tempo quando vão casas-de-banho públicas?

O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa de banho é que, quando eras pequenina, a tua mamã leváva-te à casa de banho, ensináva-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e, depois, punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita.
Finalmente instruía-te: -"Nunca, nunca te sentes numa casa de banho pública!
Depois, ensinava-te a "Posição", que consistia em balançares-te sobre a sanita numa posição de "sentada" sem que o teu corpo tivesse contacto com o tampo.
A " Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, importante e necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, a " Posição" é dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está quase a rebentar.
Quando TENS de ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na posição oficial de “tou aqui, tou-me a mijar!”.
Finalmente é a tua vez! E chega a típica "mãe com a menina que não aguenta mais” (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou passar à frente, que pena!). Então, verificas por baixo de cada cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados!!!
Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a pessoa que ainda está a sair.
Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não importa…Penduras a mala no gancho que há na porta… QUAAAAAL? Nunca há gancho!! Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos e fétidos e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que foste metendo lá para dentro, durante 5 meses seguidos, a maioria das quais não usas, mas tens no caso de…
Mas, voltando à porta… como não tinha fechadura, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num instante e pões-te na " Posição”…
AAAAHHHHHH… finalmente, que alívio… mas é aí que as tuas coxas começam a tremer… porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas, um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a cortar-te o pescoço!
Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem a tapáste com papel; interiormente achas que não iria acontecer nada, mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça “Nunca te sentes numa sanita pública”,e então ficas na “posição de águiazinha”, com as pernas a tremer… e por uma falha no cálculo de distâncias, um finííííssimo fio do jacto salpica-te e molha-te até às meias!!
Com sorte não molhas os sapatos… é que adoptar a " P osição” requer uma grande concentração e perícia.
Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel higiénico, maaaaaaaaaaas não hááááá!!! O suporte está vazio!
Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que tens na mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel… mas para procurar na tua mala tens de soltar a porta… ???? Duvidas um momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a empurra, dá-te uma trolitada na cabeça que te deixa meio desorientada mas ràpidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco enquanto gritas:- OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!!
E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as mulheres têm muito respeito umas pelas outras).
Encontras o lenço de papel!! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas não importa, fazes tudo para esticá-lo; finalmente consegues e limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e molhas a mão toda; ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar o maldito lenço só com uma mão.
Ouves algures a voz de outra velha nas mesmas circunstâncias que tu: “Alguém tem um pedacinho de papel a mais?” Parva! Idiota!
Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da mala,o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim… porque ela nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, tu não sabes que doenças podes apanhar ali, que até podes ficar grávida (lembram-se??)…. Estás exausta! Quando páras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidíssimo e puxas o autoclismoa fazer malabarismos com um pé, muito importante!
Depois lá vais pró lavatório. Está tudo cheio de água (ou xixi? lembras-te do lenço de papel…), então não podes soltar a mala nem durante um segundo, pendura-la no teu ombro; não sabes como é que funciona a torneira com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de água fresca, e consegues sabão, lávas-te numa posição do corcunda de Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água.
Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim secas as mãos nas tuas calças – porque não vais gastar um lenço de papel para isso–e sais…
Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís Borges enquanto te esperava.
“Mas por que é que demoráste tanto?” - pergunta-te o idiota.
“Havia uma fila enorme” - limitas-te a dizer.
E é esta a razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa de banho, por solidariedade: uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta e a outra pássa-te o lenço de papel debaixo da porta, e assim é muito mais fácil e rápido, pois só tens de te concentrar em manter a " Posição” e a dignidade!!! (texto adaptado)

Obrigada a todas as amigas que já me acompanharam à casa-de-banho e serviram de cabide ou de agarra-portas!
HOMENS, espero que, finalmente, deixem de nos perguntar, quando vamos a um WC público: "PORQUE É QUE DEMORÁSTE TANTO?"