terça-feira, 28 de abril de 2009

FrAgiLiDaDeS...

A noite estava escura e fria. Em casa, ela permanecia quieta, olhando para o écran da televisão sem, na verdade, saber dizer que programa via.
Lá fora, os carros passavam na estrada molhada, numa cadência que quebrava o silêncio da noite escura e fria- tão escura e tão fria!
Estremeceu e levantou-se para ir buscar o velho roupão de lã fôfo e quente com que se tapou, aninhando-se no sofá. Mas a noite manteve-se escura e fria.
Uma lágrima, duas, três rolaram pelo seu rosto moreno. Fechou os olhos e outras deslizaram formando um sulco até à boca. Ao sentir o sabor salgado, limpou a cara com a mão- tão fria!- e abriu os olhos- tão escuros!- decidida a encarar os seus pensamentos.
Acabara! O que quer que fosse que acalentara dentro de si, que amarfanhara e relegara para o mais profundo do seu ser, terminara, inexoravelmente.
Teria alimentado um sonho que pensara partilhado num segredo a dois, julgando descobrir em mil gestos e olhares a cumplicidade desejada ou, simplesmente, a sua fragilidade emocional, na altura, fizera com que exarcebásse a natural simpatia dele?!
Acendeu um cigarro, expirou o fumo, lentamente e ficou a vê-lo desvanecer-se, no ar. Que noite escura e fria! Atiçou o lume na lareira e voltou a enroscar-se no velho e fôfo roupão de lã. O cigarro queimou-lhe os dedos e apagou-o no cinzeiro, num movimento distraído e ausente.
Já não havia magia nem sedução. Só o seu amor próprio profundamente ferido, o seu orgulho de rastos e uma mágoa desmesurada.
De qualquer forma, realidade ou ilusão, fora bom para o seu ego pensar que alguém ainda se deixava tentar pelos seus olhos escuros- tão escuros!- brilhantes, agora, de lágrimas de frustração.
Sentiu o coração apertado e o frio da noite percorreu-a num tremor. Ele já não procurava os seus olhos para neles mergulhar - isso fora sempre real, tinha a certeza - e ela já não sentia o corpo palpitante de prazer, a alma plena de alegria. Ele já não a olhava com doçura e ela afastava-se cada vez mais, fugindo de si própria, negando a verdade, tão dura e tão fria : o que quer que tivera (ou não...), perdera; o que quer que fôra (ou talvez não...), fazia-lhe falta, muita falta!!!
Queria tudo outra vez, sonho ou realidade, que importava isso? Na Terra dos Sonhos não há solidão, tristeza, dor e o amor acontece. Sempre.
Enroscou-se mais no velho roupão de lã - tão fôfo, tão quente! -, fechou os olhos - tão escuros! - e entrou na noite - tão fria!
Repentinamente calma, só o seu coração dorido batia, desordenadamente.
"eu"

8 comentários:

  1. Sonho, a gente só se dá
    conta dele depois que acorda,
    depois que ele acabou…
    E fica aquela vontade

    Um adorei e vou voltar sempre
    um beijo bem carinhoso

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  2. Que a cada da manhã voce sinta em seu coração a certeza de que a vida te espera de braços abertos.

    beijooo.

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  4. Lindo. Para que comentários se estou a ver tudo, incluindo essa noite escura e fria. E as lágrimas também, mas este nosso estado é transitório - A VIDA vs SAÚDE - e vamos fazer com que transitemos por cá o mais possivel.
    bjs

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  5. O amor tem destas coisas... e paixão faz sofrer! mas há quem 'não consiga' senti-la da mesma forma. Por isso há que saber amar por outras lutas também muito prazeirosas!
    E a Vida continua, e que a Saúde total, nunca falte.
    Beijinho

    passa lá nos meus miminhos e cusca bem :)))

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  6. Ellen,

    Já comentei no teu blog mas tenho que te agradecer aqui também!
    Tu é que me incentiváste para esta aventura e tens ajudado! Obrigada a ti, amiga!
    Adorei a surpresa. Já a fui buscar...é lindo e vai iluminar este espaço!!!
    Bjssssss.

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  7. Como sempre, tudo lindo por aqui! ès muito criativa!um beijo,chica

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  8. Nossa! Que sensibilidade tamanha! São muito boas as tuas letras, são leves, bem levesinhas. Sabe? As letras leves que são assim feito algodão doce, não têm muita graça. Boas mesmo são as letras que apesar de leves possuem algo que bem no fundo seja perfuro-cortante! Assim é o teu belo texto!

    Um abraço!

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